Acerca da Adopta-me

O Adopta-me é um website que apresenta uma maneira simples de se adoptar ou anunciar para adopção um animal que tenha sido encontrado ou que esteja em risco de abandono. Não somos uma associação nem temos instalações de canil ou gatil: através dos anúncios colocados fazemos com que quem procura um animal chegue a um que esteja para adopção, criando assim oportunidades de integrar animais em risco. O Adopta-me foi criada em 2001 por Jorge Diogo e Susana Crespo.

Muitos animais em risco são adoptados e conseguem uma vida nova, encontrando uma casa e donos responsáveis e carinhosos: isto é muito bom para todos os envolvidos. Por outro lado, são anualmente adquiridos milhares de animais, dos quais uma percentagem acaba por ser um dia abandonada, engrossando as fileiras de animais errantes e aumentando o problema. A adopção de um animal pode significar não só o salvar de uma vida, mas também um passo contra a questão do abandono de animais. Apresentar a adopção de animais abandonados como uma alternativa à sua compra em lojas de animais faz sentido em termos sociais e humanistas.

No Adopta-me acreditamos que proteger animais não é só uma questão de dinheiro ou de recursos, mas também de imaginação e organização e sobretudo de consciência. E se protegemos e queremos bem a uns animais, como desviar o olhar e não ver os outros: pense-se na forma como são tratados os animais que connosco coexistem no planeta, desde os que vivem junto a nós e que acarinhamos, aos que são criados para comida vivendo em condições medonhas até ao seu abate, aos que por "espectáculo" são torturados em touradas, aos que são caçados de forma bárbara. Pense um pouco nisto e deixe a sua consciência falar...

O Adopta-me é mantida por voluntários, se puder ajudar no processo de aprovação dos anúncios, por favor envie-nos o seu contacto para info@adopta-me.org.

Jorge Diogo, Adopta-me.org

Todo o céu era silêncio
só uma nesga de lua
linda menina onde é a tua casa
linda menina onde é a tua rua

talvez gata abandonada
por haver férias de Agosto
que só se encolhe de fome
que só mia de desgosto

da menina só a rua
triste menina sem casa
e ouvi a voz que dizia
anjo vos escondendo asa

então peguei na gatinha
e a levei à minha rua
e a subi a minha casa
e a deitei à luz da Lua

será que ela não o sabe
será que ela não tem alma
mas donde então esta paz
aura clara pura e calma

enamorados vivemos
eu sou dela ela de mim
vida que teve princípio
mas talvez não tenha fim

se fosse eu a viver só
se fosse ela descontente
frustre em nós a vocação
de sermos mais que somente

o que havia era esperar
que viesse a morte um dia
dar-nos por fim o descanso
dar-nos talvez alegria

só que não será preciso
chegarmos a termos tais
porque vamos ser os dois
erguidos a muito mais

além da morte voando
viver em eterna Lua
todos os anjos cantando
sem nenhum disfarce de asa

lindos meninos eis a vossa rua
lindos meninos eis a vossa casa.


Agostinho da Silva, Carta Vária, Relógio d'Água
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